Nunca estudei pensamento sistêmico — é algo que eu faço, e ultimamente faço bastante. Não vou falar sobre o meu trabalho hoje, além de linkar o Mapa e o artigo sobre taxonomia da semana passada, caso queira se aprofundar nos detalhes técnicos.
Da paisagem 2D para a 3D para a 4D
Quando você visualiza um sistema por primeira vez, talvez veja um diagrama 2D — tipo aquelas grandes mesas de mapa onde planejam estratégias de batalha em Game of Thrones.
Mas essa mesa de mapa se comporta de um jeito diferente.
Imagina a seguinte cena.
Você toca em um ponto de pressão e ondulações se espalham pelo mapa, atingindo os outros pontos de pressão, que por sua vez criam novas ondulações, atingindo todos os outros pontos de pressão de novo, e assim por diante.
Agora você tem uma paisagem 3D — ou melhor, já que ela muda com o tempo, uma paisagem 4D.
Como evitar que isso vire um caos?
Ondulações e ondas
Você já viu como ondas sonoras afetam a água? Isso se chama cimática.
Você coloca uma camada de água sobre a pele de um tambor, e então toca diferentes frequências. Cada frequência cria seu próprio padrão.
Depois, você começa a combinar os tons.
Na harmonia em geral (antes de colocarmos água sobre o tambor), pares de ondas sonoras “dissonantes” não se alinham. Elas colidem em pontos estranhos. Já nas harmonias “consonantes”, os comprimentos de onda se encaixam, criando simetrias.
Na cimática, agora utilizando a água e o tambor, entra mais um elemento: o tamanho do recipiente.
Por exemplo, se o nosso tom-tom tem 10 cm de diâmetro (é pequeno), talvez uma frequência de 90,1 Hz crie padrões bonitos, porque as ondas batem nas bordas exatamente do jeito certo — mas 90,9 Hz já fica um pouco fora do ponto, criando caos.
Então, como criamos mudança em um sistema?
Na prática, não existe uma única pessoa “projetando” um sistema. Você projeta um modelo de sistema e, se tiver influência suficiente, talvez consiga chegar perto de implementá-lo no mundo real do jeito que projetou.
Mas, mesmo assim, o máximo que qualquer pessoa consegue fazer é projetar sua influência sobre o sistema. Você projeta uma onda sonora que ressoa.
Você observa como, ao combinar duas frequências, os efeitos mudam. Você acrescenta uma terceira frequência, uma quarta, uma quinta — e isso cria losangos, mas você quer hexágonos. Então você ajusta suas frequências até achar os tons certos. Você remove ou ajusta qualquer som que não se encaixe. Por fim, você vê o padrão que queria ressoando pela água.
Você aplica esse design à sua mesa de mapa 4D (a do estilo Game of Thrones de estratégia de batalha). Ajusta um pouco mais para esse novo formato de recipiente, e gosta do que vê.
Então você olha pela janela do seu castelo, para o mundo lá fora, e se pergunta se consegue criar o mesmo efeito por lá.
Se a sua convicção for forte o suficiente, você sabe que vai conseguir — mas não há como saber todas as forças que vai enfrentar até sair lá fora.
O poder do cérebro te trouxe até aqui por conta própria, mas agora você precisa engajar o coração. É preciso coragem para levar seu plano para o mundo. Você vai enfrentar obstáculos que nunca imaginou na sua sala de estratégia.
Você não vai estar brincando com ondas sonoras, água e um tambor. Você vai ser uma “frequência” entre muitas, num grande corpo de água.
Vai ter que se adaptar e persistir para concretizar a influência que imaginou.



